A cobertura do rosto antes do islão
A cobertura do rosto é registada pela primeira vez, segundo os elementos aqui reunidos, na Grécia Antiga (a lei assíria refere-se à cobertura da cabeça, não do rosto), seguida de autores cristãos e da Arábia pré-islâmica. A evidência é escassa e irregular, e ninguém pode demonstrar que era universal.

Este tema abre com um aviso, e não com uma afirmação, e esse aviso deve acompanhar tudo o que se segue.
O que o registo sustenta
A informação escrita e os dados arqueológicos que mostrem claramente que as mulheres das sociedades antigas cobriam o rosto são demasiado escassos — e, por vezes, inconsistentes, ou em desacordo com a prática local. Com dados tão limitados, a interpretação torna-se difícil, e não é possível tirar conclusões pormenorizadas ou seguras sobre a forma como uma sociedade se vestia.
Esta secção trata de duas coisas relacionadas mas distintas, cobrir a cabeça e cobrir o rosto, e vale a pena mantê-las separadas também aqui.
Assíria. A Mesopotâmia sob os reinos assírios (1100–626 a.C.) é, segundo este relato, a civilização mais antiga a adotar o véu (cobrir a cabeça) como prática e como cultura, e também inscreveu a prática na lei: estatutos redigidos por volta de 1100 a.C. e emendados por volta de 700 a.C. prescreviam penas severas para infrações relacionadas, incluindo o corte de orelhas. Isto diz respeito à cabeça, não ao rosto.
Grécia. A cobertura do rosto — descrita como uma extensão de, ou um acrescento a, cobrir a cabeça — é registada pela primeira vez, segundo este relato, na Grécia Antiga: através de figuras de terracota e pintura em vasos, e entre representações de deusas e mulheres atenienses da classe alta nos períodos Clássico e Helenístico. A Odisseia de Homero situa a prática no século VIII a.C.
Pierre Larousse é citado com uma reserva explícita — introduzida com kononnya, "supostamente", em segunda mão através do resumo árabe de Muḥammad Farīd Wajdī do Grand dictionnaire universel du XIXe siècle — como tendo dito que as mulheres gregas cobriam o rosto com a ponta de um pano, ou com véus feitos propositadamente em Cós, Amorgos e outras ilhas, e que as mulheres de Tebas usavam uma cobertura especial com dois orifícios ao nível dos olhos para ver através dela. Isto não é confirmado em primeira mão; é uma alegação relatada, coerente com o aviso inicial de que os dados aqui são demasiado escassos para conclusões seguras.
Entre os Povos do Livro. Clemente de Alexandria (m. 215 d.C.), no Pedagogo, opõe-se a que as mulheres procurem admiração e diz que lhes é ordenado cobrir a cabeça e o rosto por essa razão. A Didascalia, uma passagem datada de cerca de 230 d.C., é ainda mais direta: "Quando há banhos na cidade ou na região, a mulher fiel não deve banhar-se com homens; pois se cobres o rosto diante de homens estranhos por autorrespeito, como podes ir aos banhos junto com homens estranhos?"
O relato de Susana, em Daniel 13, é também citado aqui, com três ressalvas imediatas. Primeiro, canonicamente: esta parte de Daniel é reconhecida como escritura apenas pelos católicos romanos e pelos ortodoxos orientais, não por toda a tradição cristã ou judaica. Segundo, textualmente: os dois homens que abordam Susana pedem-lhe que remova a sua cobertura para que a possam olhar, mas a passagem não menciona claramente o rosto, e o seu contexto deixa em aberto que o que estava para ser visto era o corpo em geral. Terceiro, historicamente: os acontecimentos situam-se cerca de seis séculos antes de Cristo, na época de Daniel, mas alguns investigadores negam que exista qualquer prova de que as mulheres judias cobrissem o rosto.
Essa tripla ressalva é a razão pela qual este site trata Daniel 13 como o elemento mais fraco desta lista, em vez de o descartar — mantém-se à vista, sendo explícito quanto ao pouco peso que pode sustentar.
Arábia pré-islâmica. Tertuliano, em Sobre o Véu das Virgens, descreve mulheres árabes pagãs a cobrir a cabeça e o rosto de forma tão completa que apenas um olho ficava livre para ver.
O próprio árabe traz uma prova adicional: possuía uma palavra dedicada ao ato de descobrir o rosto, sufūr, distinta do vocabulário para as próprias peças de vestuário. Uma sociedade não cunha e mantém um termo específico para desfazer uma prática, a menos que essa prática esteja suficientemente estabelecida para precisar de um nome.
O que não pode ser afirmado
Que era universal. A posição é declarada explicitamente:
Não se está a dizer que todas, ou sequer a maioria, das mulheres árabes pré-islâmicas cobriam o rosto — apenas que era certamente uma prática normal nessa sociedade.
Esta distinção é decisiva em ambos os sentidos. Nega a alegação de que a cobertura do rosto foi uma inovação puramente islâmica, e nega igualmente a alegação de que era a norma assente em toda a parte antes do islão.
Uma página que afirmasse que a cobertura do rosto era amplamente praticada antes do islão estaria a exagerar um caso que a própria evidência não sustenta.